PESSOA NA PRIMEIRA PESSOA
Conferência com Carlos Otero

10 NOV 2013 | 16h00


Dá-me  os óculos!

Foram estas as últimas palavras do poeta no dia 30 de Novembro de 1935.

As últimas palavras de Goethe, grande poeta que ele muito admirava, tinham sido: “Mais Luz”.

A distância é pequena e apenas simbólica entre as duas súplicas. “Mais Luz” era para iluminar o espírito de Goethe; Fernando Pessoa, com os óculos, seria para sondar mais profundamente o fundo obscuro da sua alma.

Hoje, passados todos estes anos, aqui está Fernando Pessoa para falar dele... Do seu EU íntimo. Aquele que raramente mostrou. Poderá mesmo parecer-lhe difícil, para não dizer enfatuado, falar na primeira pessoa sem se esconder.

Assinalando a presença viva do poeta na cultura portuguesa, Pessoa na primeira pessoa, é uma  maneira de dizer algo de novo ou diferente sem receio da contradição. Numa conversa informal, Carlos Otero, ou melhor, Fernando Pessoa fala de si próprio numa histeria, em que “…tudo acaba num silêncio interior e em poesia…”, num Universo onde o poeta é ao mesmo tempo, “Pessoa” e “Ninguém”.

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CARLOS OTERO nasceu em Lisboa e vive em Paris há 45 anos, onde desenvolveu a sua actividade como actor, cantor lírico e encenador de teatro e de ópera. Com mais de 3.200 representações públicas em palcos tão distintos como o Teatro Nacional Popular, o Théâtre de la Ville, o Théâtre Marigny, o Festival Lírico de Aix-en-Provence e o Festival de Avignon, Carlos Otero trabalhou ao longo da sua carreira com nomes tão distintos como a actriz Edwige Feuillère, o actor e encenador Georges Wilson, ou ainda Jerome Robbins, produtor, realizador e coreógrafo da Broadway, com quem apresentou, em 1969, no Théâtre Marigny, a comédia musical Violino sobre o Telhado. Realizou e encenou no Théatre des Champs Elysées, de Paris, o drama “Themos” de Mozart, assim como a ópera “A Flauta Mágica”, representações que foram saudadas pela crítica como “tendo conseguido transmitir o essencial do aspecto sobrenatural e maravilhoso das obras primas de Mozart”.

Licenciado em Musicologia pela Sorbonne, dedica-se actualmente à investigação musical e à encenação, e desenvolve o seu trabalho no sentido de transmitir a “boa mensagem” através da música.


Local: Palácio - Sala da Renascença
Acesso: Incluído nas condições de acesso à Quinta da Regaleira

Ilustração: Ricardo Nunes