EXPOSIÇÃO  17 AGO · 20 OUT 2013

O TAROT VISITADO PELA ARTE
Mónica de Morais


Vou recordar o que me levou a iniciar este projecto de pintura...
Sem consciência alguma do que se passava comigo, aos 12 anos de idade, dava por mim a ler as mãos das pessoas. A atracção que sentia por aqueles “riscos” e “desenhos”, faziam aparecer uma escrita muito própria, e revelavam os acontecimentos das suas vidas, bem como os seus desejos e personalidades. 
Tendo nascido num meio totalmente oposto a tudo isto, em que esta realidade era marginalizada, foi difícil proteger-me. Mas em silêncio fui percorrendo um caminho solitário, incompreensível para muitos. Mas não conseguia ignorar o que dentro de mim vivia e existia!
Devido a estas circunstâncias tive uma espécie de vida dupla. A minha vida decorria entre duas realidades: a vida social com a sua incompreensão, e a compreensão perante revelações de um mundo diferente.  Mais tarde fui aprender o tarot, novamente os ”desenhos” se cruzavam revelando acontecimentos e caminhos de vida.
Agora, passados todos estes anos permiti-me realizar e cumprir um desejo antigo. Iniciando este projecto de pintura sobre o tarot.
Os 22 arcanos maiores do tarot.
Comecei por baralhar as 22 cartas, depois espalhei-as na mesa com as figuras voltadas para baixo, retirei uma ao acaso. A primeira carta a sair foi “Os Amantes”.
Começava o que viria a ser a minha aventura interior…
Á medida que a pintura avançava, percebi o extraordinário poder que  as cartas continham. Os diálogos constantes e intensos que mantinha com elas eram enriquecedores, e assim ganhei uma maior consciência, de estar a viver nos dois mundos em simultâneo.
Uma noite enquanto dormia, as cartas apareceram-me no sonho. Eram enormes, com dimensões de ”gigantes” flutuavam como numa dança na minha direcção, e colocaram-se numa ordem de leitura. Claramente não queriam ser esquecidas! Fui surpreendida… 
Ganharam vida! E na minha vida real também. Fui deparada com dolorosas e difíceis situações. Os acontecimentos desenrolavam-se em sintonia com a carta que estava a pintar no momento.
Fiquei profundamente abalada com tal revelação.
Confesso! Quase desisti…
O que me levou a continuar a pintá-las foi a vontade de as recriar e atualizar de acordo com a minha própria época e vivência, pois ao viver esta realidade… e vou dar como exemplo a carta do “Dependurado”: A representação tradicional do dependurado, (o Homem pendurado pelo pé e de cabeça para baixo) pareceu-me pouco actual para a carga simbólica que esta acarreta.
Com o actual conhecimento sobre o plexo solar e a importância que tem, o centro do “corpo” desta figura tornou-se no foco. 
Respeitei e levei sempre em consideração a sua simbologia: Quer nas cores, numeração quer na geometria sagrada, está tudo lá! Porém, escolhi em várias alturas ocultar alguns símbolos e cores, ficando estas por baixo da própria pintura. Sendo um trabalho de teor oculto e de liberdade artística, optei por jogar com estes “véus “para a sua realização. Devagar apercebi-me que estava perante um grande desafio…
E na Pintura? A beleza das imagens e a pureza com que apareciam dentro da minha cabeça… Como colocá-las na tela? Como ser-lhes fiel? E Como manter coerência plástica no trabalho artístico?
Uma vez mais deparei-me dolorosamente com as restrições da matéria. E confrontei-me com a realização dum invisível para o visível.
Estava comprometida comigo! Foram dois anos de trabalho ardente.
Já próximo do fim, estando eu numa entrega total à pintura, e envolvida entre mãos/pincéis e tintas. Em estado de alerta constante! Com opções a tomar a cada instante nas pinceladas a executar…
Acontece o que eu nunca tinha experienciado antes. Tornando-se assim o que viria a ser uma experiencia inesquecível! Num repente, ao olhar aquele frenesim da pintura que ia nascendo do nada, uma calma se apoderou de mim, fui tomada de um profundo Prazer Amoroso, que se fez sentir ao nível do meu corpo. E porque foi sentido no corpo, a palavra êxtase é talvez a que se aproxima mais para descrever o que senti.
A revelação sentida desse momento amoroso, despertou-me a gratidão e a integração de um ensinamento antigo da “Aceitação”.
Tantas vezes sofri por não conseguir fazer justiça à Beleza que me era dada a ver… Agora ao ter-me aceite com as dificuldades, e a viver tais experiencias de vida… descodificando e colaborando com os seus ensinamentos, pude realizar estas pinturas … Um novo caminho se abriu para mim…o trabalho finalizado era agora Iniciado.
Como na carta do louco… ele é o princípio e o fim! Assim é dentro de mim.

Mónica de Morais 
8 de Abril de 2009

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MÓNICA DE MORAIS

Nasceu em 1959.
Vive e trabalha em Cascais - Portugal.

Exposições Individuais
2013 - Quinta da Regaleira, Sintra, Portugal.
2012 - Fundação Henrique Leote, Espaço Arcana, Convento de São Paulo, Serra da D’Ossa, Portugal. (Artista Convidada) / Academia de Letras e Artes, Monte Estoril, Portugal (Artista Convidada)
2009 - Galeria Braço de Prata. (Artista Convidada)
2008 - Galeria do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa. (Pintura) (Artista Convidada)
2005 - Galeria 65A Lisboa. (Pintura e Gravura) / Galeria de Arte da Ordem dos Médicos, Lisboa. (Artista Convidada)
2001 - III Festival de Gravura, Évora. (Artista Convidada)
1999 - Galeria Art Konstant. Lisboa. / Galeria Fann, Madrid.

Exposições Colectivas
2013 - Centro de Congressos do Estoril, Cascais Portugal. (Artista Convidada) / Câmara Municipal de Vendas Novas, Portugal. (Artista Convidada) / Espaço Groupama ART, Exposição de Pintura e Gravura Lisboa, Portugal. (Artista Convidada)
2012 - Exposição de Pintura “ A Arte vai ao Mercado”, Mercado da Vila, Cascais, Portugal. (Artista Convidada) / Academia de Letras e Artes, Monte Estoril, Portugal. (Artista Convidada) / Galeria da Livraria Ler Devagar LX Factory, Lisboa, Portugal. / Galeria Cnap, Lisboa, Portugal.
2011 - Centro de Congressos do Estoril, Cascais Portugal. (Artista Convidada) / Com.Arte 2011, Festa Cultural do Comercio e das Artes, Cascais, Portugal. / Mostra de Artes Plásticas, 20 anos, 20 artistas, 20 obras. Centro comunitário Senhora da Barra, Oeiras, Portugal. / Galeria Cnap, Lisboa, Portugal.
2010 - Galeria Cnap, Lisboa, Portugal.
2009 - I Bienal de Pintura da Cnap, Odivelas, Portugal.
2007 - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.
2006 - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.
2005 - Cordoaria Nacional (Arte e Espiritualidade -  V Centenário do Nascimento de S. Francisco Xavier), Lisboa, Portugal. / Bienal de Coruche - IIº Salão de Artes Plásticas, Portugal. / II Bienal de Artes de Mafra, Portugal.
2004 - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.
2003 - Bienal de Coruche - Iº Salão de Artes Plásticas, Portugal. / Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal. / XXVº - Salon de Otoño de Pintura de Plasencia, Espanha.
2002 - IVº Apresentação Mundial de Mini-Gráfica e Pintura, Pisa, Itália. / Mitra, Galeria Municipal de Lisboa, Portugal. / Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.
2001 - Galeria Art Konstant, Lisboa, Portugal. / Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal. / III Festival de Gravura de Évora, Portugal. / Trienal Internacional de Gravura, Kanagawa, Japão. / 10º Bienal Internacional de Gravura e Desenho, Taipé, China.
2000 - Galeria Art Konstant, Lisboa, Portugal. / XXº Internacional Mini-Print, Cadaqués, Espanha.
1999 - IIº Festival de Gravura de Évora, Portugal. /  Bienal Internacional de Taipé, China. / Galeria Art Konstant, Açores, Portugal. / Florean Art Museum, Roménia. / XIX Internacional de Mini-Print, Cadaqués, Barcelona. / Gravura Contemporânea Portuguesa, Galeria Fann, Madrid, Espanha.
1998 - XVIIIº Internacional Mini-Print, Cadaqués, Espanha. / Wingfield Arts & Music Festival, Wingfield, Inglaterra. / L‘Etang d’ Art, Bages, França. / Galeria Artice 26, Barcelona, Espanha. / Galeria Art Konstant, Lisboa, Portugal. / Trienal Internacional de Gravura de Kanagawa, Japão. / Trienal Internacional de Mini-Print de Tóquio, Japão. / VIª Bienal de Gravura da Amadora, Portugal. / Gravura Contemporânea Portuguesa, Galeria Fann, Madrid, Espanha.
1997 - « Impressões », Espaço Bento Martins, Lisboa, Portugal. / XVIIº Internacional Mini-Print, Cadaqués, Espanha. / Wingfield Arts & Music Festival, Wingfield, Inglaterra. / Pau Casals Music Festival, Prades, França. / Taller Galeria Fort, Cadaqués, Girona, Espanha. / Ateneo, Canet de Mar, Barcelona, Espanha. / L‘Etang d’ Art, Bages, França. / Iº Festival de Gravura de Évora, Portugal. / XIX Trienal Internacional de Kanagawa, Japão.
1996 - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.

Prémios
2006 - Menção Honrosa. Salão de Sócios da Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal.

Colecções Públicas
- Museu Florean Art, Baia Mare, Maramures, Roménia.

Colecções Particulares
- Representada em várias colecções particulares.

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Local: Oficina das Artes
Acesso: Incluído nas condições de acesso à Quinta da Regaleira

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Na imagem:

O Julgamento
Mónica de Morais, 2006
Técnica Mista
90 x 150 cm

O Julgamento simboliza uma rápida alteração dos estados de consciência para um nível superior, o plano arquetípico.
Na sequência da iluminação solar, manifestam-se os poderes operativos deste Arcano a nível avatárico.
O tema é o da ressurreição dos mortos.
A trombeta do Anjo é o sinal de que chegou a hora do momento de despertar para uma vida nova.
A intervenção do Espírito ou a manifestação das forças superiores tem o poder de acordar em nós memórias de outras dimensões, da magia e da fantasia perdidas que ficaram relegadas nos sonhos de infância.
O Julgamento representa os efeitos da alteração para um nível vibratório superior da escala humana.
Cabe agora ao homem dar a resposta e sentido a esse evento.
Como diz Fernando Pessoa, na “Mensagem”:
- “É chegada a hora!”